Teste para detectar radioatividade em resíduo de FRACKING não é seguro

Um artigo publicado no Environmental Health Perspectives mostra que os testes para detectar radioatividade  nas águas residuais do FRACKING, armazenadas em tanques fechados não são seguros porque não medem os produtos produzidos a partir do rádio, elemento acumulado  junto com a água que atinge a superfície depois da perfuração.  Os índices de radioatividade podem aumentar cinco vezes dentro de 15 dias e continuar a subir ao longo de décadas.

A pesquisa é da equipe liderada pelo doutorando em toxicologia humana na Universidade de Iowa,  Andres Nelson. O pesquisador  ajudou a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) a escrever uma análise que concluiu que os métodos  recomendados pela agência podem subestimar a radioatividade. Embora a EPA não regule a maioria das atividades de petróleo e gás, os laboratórios que testam a água para os estados produtores de petróleo e gás  e estações de tratamento de águas residuais, muitas vezes, dependem de métodos recomendados pela agência.

A indústria do gás do xisto produz, por meio do Fracking, milhares de toneladas de lixo “quente”. Sistemas de filtragem para recuperar cerca de dois terços de água contaminada, que poderia ser usada novamente nas perfurações deixa para trás milhares de toneladas de sal e centenas de toneladas de lodo sedimentar, que concentram os materiais radioativos.

caminhões

De acordo com o site EcoWatch, as empresas e fiscais nos Estados Unidos têm dificuldade para encontrar meios seguros de se livrar desse lixo, por exemplo, ao longo do Vale onde está o Rio Ohio e na região produtora de gás Marcellus. Os moradores sofrem com o problema.

É o que acontece na pequena cidade no condado de Estill, próxima ao Rio Kentucky, região montanhosa e agricultável.  No verão passado, os habitantes  viram caminhões deixarem mais de 400 toneladas de lixo radioatividade no Aterro Blue Ridge, que não foi desenvolvido para isso e  não tem permissão para abrigar esse tipo de material. Isso deixou preocupados a comunidade e os pais de alunos da escola com 1200 alunos, próxima do aterro.

Na autoestrada 89, na saída do aterro está localizada a casa de Denny e Vivian Smith, que vivem na propriedade onde seus ancestrais moraram nos anos 1800.“Esta é nossa casa”, disse Vivian de sua varanda. “Aqui é onde estão nossas raízes…Nós estamos envelhecendo, e isso nos dá a impressão de estarmos mais vulneráveis a doenças com o que está acontecendo no aterro”.

Um relatório do Centro de Integridade Pública, nos EUA, chama a corrente de lixo radioativo proveniente das operações horizontais de gás e petróleo de “lixo órfão”, porque não há nenhuma agência do governo tomando conta deste lixo. O relatório mostra, ainda, que fiscais reconhecem: os resíduos estão sendo efetivamente passados “de mão em mão” por empresas que esperam encontrar meios para um descarte acessível.

Perigo para o Brasil

No Brasil, pelo menos 372 cidades em 15 estados podem ser impactadas pela exploração pelo método FRACKING, isto porque a A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já vendeu blocos em várias rodadas de licitações. Destes 15 Estados, o Ministério Público Federal, sensibilizado pela COESUS e parceiros sobre os riscos ambientais, econômicos e sociais, conseguiram suspender liminarmente os efeitos dos leilões em seis. Os demais estados estão à mercê do FRACKING. A contaminação se dá num raio de até 80 quilômetros de cada poço perfurado, provocando um rastro de destruição e contaminação nas cidades vizinhas.

“Além do problema do descarte da massa residual, os materiais radioativos das perfurações  apresentam outros riscos. Poeira radioativa é  danosa. O líquido radioativo poderia escorrer para fora do aterro e  contaminar águas subterrâneas ao longo do tempo”, afirma Juliano Bueno de Araújo, fundador da COESUS, Coalizao Não FRACKING Brasil e pela Sustentabilidade e Clima e Coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org.

O próprio Ministro de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, quando ainda era Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Governo, reconheceu que produzir gás pelo método não convencional é mais arriscado do que pelo convencional. “São grandes fraturamentos e isso impõe riscos. O que precisamos ter é condições de produzir esse gás com o mínimo de risco possível. Temos garantia? Garantia nunca existe nessa indústria”, reconhece.

“A exploração de combustíveis fósseis tem que parar. Se não existem garantias,  o melhor é procurar energias renováveis. É preciso incentivar o uso da eólica e solar. Lixo radioativo pode durar por séculos – muito mais tempo do que durariam os forros de muitos aterros”, alerta Nicole Figueiredo, diretora da350.org no Brasil e na América Latina.

Mais informações: http://ecowatch.com/2016/06/21/radioactive-fracking-waste/

 

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