Prefeito de Toledo, Beto Lunitti, consegue apoio do Crea-PR na guerra contra o FRACKING

 

Uma das mais importantes entidades profissionais adere à Carta do Oeste do Paraná, que faz o resgate histórico da mobilização iniciada na região em 2013 contra a exploração do gás de xisto

 

“A luta contra o Fracking é uma luta que resulta na união de esforços para proteção ao meio ambiente, à produção de alimentos e à vida”, afirmou o prefeito de Toledo, Beto Lunitti, ao anunciar a adesão do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) à Carta do Oeste do Paraná e ao movimento contra o Fracking. O presidente da entidade, Joel Krüger, recebeu o documento em solenidade na prefeitura realizada na semana passada e garantiu a adesão da entidade à Carta e à campanha Não Fracking Brasil.

 

img-20161111-wa0050
Prefeito Beto Lunitti (à esquerda) e Presidente do CREA-PR, Joel Krüger. Foto: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Toledo

 

A Carta do Oeste do Paraná condensa informações técnicas, dados e estudos científicos sobre o fraturamento hidráulico, método altamente poluente para exploração do gás de xisto também conhecido como Fracking. O documento faz ainda o resgate histórico da luta das cidades da região Oeste, com ênfase na grande mobilização popular e de vários segmentos da sociedade civil de Toledo, para impedir que a cidade e a região fossem devastadas pelos impactos ambientais, econômicos e sociais desta perversa tecnologia.

No texto há também informações sobre as primeiras reuniões e audiências públicas realizadas pela COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – na região, que culminaram na aprovação de leis municipais que proíbem a exploração do gás de xisto através do fraturamento hidráulico, entre elas Guaíra, Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu. Atualmente, aproximadamente 200 cidades brasileiras já proibiram o Fracking ou estão na iminência de fazê-lo.

 

Mobilização popular

No final de 2013, a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) vendeu blocos para a exploração de gás de xisto em 372 cidades Brasil, sendo 122 somente no Paraná. O leilão do subsolo foi realizado sem o conhecimento dos prefeitos, vereadores, lideranças políticas, religiosas e do setor produtivo, bem como sindicatos rurais e de trabalhadores, academia e entidades ambientais, climáticas e sociais.

 

zuleica-e-juliano-2013-em-toledo
Foto: Gazeta de Toledo

 

 

Diante da decisão da ANP em vender os blocos, Toledo foi a primeira cidade a debater o Fracking e seus impactos com a realização da primeira palestra realizada no Brasil pelos ambientalistas Zuleica Nycz e Juliano Bueno de Araujo, fundadores da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil. Após essa ação, o trabalho de mobilização continuou em 2014 e 2015 com Juliano, que esteve em Toledo realizando oficinas de capacitação, debates junto ao setor produtivo, prefeitura, além de manifestações na praça com presença de milhares de pessoas.

 

 

 

 

 

Para o prefeito, o trabalho de informar começou através do Secretário de Captação de Recursos, Luiz Carlos Balcewizki, com o apoio do vereador Adriano Remontti como presidente da Câmara Municipal, demais vereadores de Toledo e lideranças da região Oeste. As informações da Carta foram organizadas pelo Secretário Municipal Renato Eidt, que junto com os vereadores Tita Furlan e Vagner Delábio, esteve há um ano na Argentina a convite da COESUS e 350.org Brasil e América Latina para conhecer os impactos devastadores do Fracking no país vizinho.

 

Campanha Não Fracking Brasil

“Com o apoio do CREA-PR, nossa campanha ganha mais amplitude para levarmos informações sobre os riscos e perigos dessa tecnologia minerária a milhões de brasileiros, profissionais ou não, e a ganhar adesão de novas entidades. Vamos vencer essa batalha contra a indústria do hidrocarboneto e em defesa das energias renováveis”, garante Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalização Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

 

toledo-1
Toledo unida contra o Fracking. Foto: COESUS/350Brasil

 

Graças à mobilização popular numa região de grande performance agrícola e à sensibilização da COESUS junto ao Ministério Público Federal, uma liminar obtida em meados de 2014 suspendeu os efeitos da 12ª Rodada de leilões no Paraná e São Paulo. “A técnica do Fracking ainda não acontece no Brasil por conta da grande mobilização popular e da judicialização dos leilões. A campanha avança com importantes cidades proibindo, inclusive muitas que ainda nem tiveram o subsolo vendido pela ANP”, finaliza Juliano.

 

Por Silvia Calciolari

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Enquire here

Give us a call or fill in the form below and we'll contact you. We endeavor to answer all inquiries within 24 hours on business days.
[contact-form-7 id="5208"]