Paranavaí: Uma cidade unida contra o FRACKING

 

Lideranças políticas, religiosas e dos movimentos sociais se articulam para proibir a extração do gás de xisto pelo método não convencional e proteger a população da contaminação.

 

O plenário da Câmara Municipal de Paranavaí ficou lotado na noite da última segunda-feira, 03, por moradores, gestores públicos, lideranças políticas, religiosas e ambientalistas para debater os riscos e perigos do fraturamento hidráulico, tecnologia altamente poluente para exploração do gás de xisto do subsolo, também conhecido como FRACKING.

Durante a reunião, o representante da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida, coordenador regional da 350.org Brasil e presidente da Cáritas Paraná, ambientalista Reginaldo Urbano Argentino, utilizou a palavra para falar sobre os riscos que envolvem esta técnica de fraturamento e as consequências ao ecossistema, como a contaminação dos lençóis freáticos e do solo, inviabilizando a produção de alimentos, além de poluir o ar colaborando com a incidência de câncer, infertilidade e doenças neurais.

 

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“O movimento ‘Não Fracking Brasil’ quer conscientizar a população e as autoridades para mobilização e inviabilização deste tipo de atividade minerária, não concedendo alvarás, licenças, tráfego de veículos, entre outras concessões, que legalizam a utilização do solo com a finalidade de exploração do gás de xisto no município. Umuarama e Maringá já aprovaram este projeto. Sabemos que existem outras fontes energéticas que podem substituí-la sem a destruição do meio ambiente e sérios danos a vida do ser humano”, explicou.

Ainda segundo Reginaldo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) promove leilões de áreas para a exploração do gás de xisto sem consultar a população. Só no Estado do Paraná 122 municípios já tiveram o subsolo leiloados. Inclusive cidades próximas a Paranavaí como Rondon, Japurá, Tapejara, Cidade Gaúcha, São Tomé, Jussara, Terra Boa, Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Umuarama, entre outras.

 

Proibição do Fracking

Após a palestra, os participantes acompanharam a leitura de uma proposição proibindo o Fracking no município, encampada pelo vereador Antonio Alves da Silveira a pedido da Cúria Diocesana, apoiada por todos os vereadores e que servirá de base para uma Mensagem do Executivo a ser encaminhada nos próximos dias. A proposição proíbe a concessão de alvarás e licenças para uso do solo, tráfego de veículos, concessão de água para exploração de gases e óleos não convencionais, entre outras medidas.

Silveira destacou ser fundamental garantir a defesa do meio ambiente e da qualidade de vida, sempre zelando pelo interesse público e bem-estar da população. “Esta é uma tecnologia desnecessária e destruidora. Precisamos impedi-la para que nossas reservas naturais não sejam devastadas e investir em fontes de energias renováveis e sustentáveis que não agridam o meio ambiente. Fracking aqui, não”, disse.

 

Cuidado com a Casa Comum

A participação de lideranças da Igreja Católica na mobilização em Paranavaí reforça a disposição de bispos, padres e fiéis em lutar contra o fraturamento hidráulico inspirados pela Encíclica ‘Laudato Si’, que alerta para o cuidado com a Casa Comum como atitude vital para mantermos as condições para a vida no planeta.

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Padre Romildo Neves Pereira (à direita) e Reginaldo Urbano Argentino.

Para o Padre Romildo Neves Pereira, coordenador da ação evangelizadora da Diocese de Paranavaí, um dos principais articuladores do movimento, enfatizou a importância da mobilização da comunidade para a participação na reunião na Câmara. “Apesar da chuva, que costuma espantar os fiéis das missas, não foi obstáculo para a pessoas que vieram debater sobre o Fracking”.

Graças ao grande número de pessoas, o Padre Romildo está otimista: “A impressão que tive pelos discursos realizados na Câmara é que não haverá resistência dos vereadores em aprovar o Projeto de Lei contra o Fracking. Esperamos que avance também na aprovação dos poderes jurídico e executivo”. Também compareceram pela Cúria Diocesana os Padres Silvio César Pereira e Nilton Dalberto Reame, Arnoldo Luis Victor pelo Conselho Municipal de Saúde e Madalena Satin da Silva pela Pastoral da Saúde.

 

Desinvestimento

O engajamento de Igreja Católica na luta contra o Fracking é parte fundamental de uma estratégia global para conter o aquecimento do planeta através de ações para redução de atividades poluentes ligadas aos hidrocarbonetos. A campanha pelo desinvestimento em combustíveis fósseis (Disvest in fossil fuel) está sendo desenvolvida pela 350.org e parceiros no Brasil e América Latina para informar, conscientizar e mobilizar as pessoas sobre os impactos das mudanças climáticas e a importância do incentivo às fontes renováveis de energia.

A Diocese de Umuarama, instituição que integra a COESUS, já aderiu à campanha do desinvestimento e está elaborando, em conjunto com a 350.org, um plano de eficiência energética, com auto geração de energia solar e geração de biogás através de resíduos orgânicos a ser implementado nas edificações paroquiais e casas de formação; incentivo aos membros da Diocese e à comunidade a repetir o modelo de eficiência energética nas indústrias, comércios, escritórios e residências, visando a independência energética e a redução de emissões de gases do efeito estufa; e a formação e capacitação, por meio de workshops e treinamentos, para membros da Diocese, a fim de que esta e outras instituições católicas reduzam suas emissões de gás carbônico (CO2).

Para a diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira, “como parte de um movimento global, não vamos permitir que a indústria do hidrocarboneto continue a colocar em risco as vidas de milhões de pessoas ao redor do mundo. Desinvestir dos combustíveis fósseis é o único caminho para conter as mudanças climáticas”.

“Precisamos urgentemente diminuir as nossas emissões de CO2, e para isso, é fundamental o incentivo ao crescimento das energias renováveis”, completa Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Brasil e fundador da COESUS.

 

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Por Silvia Calciolari

Fotos: Karine Benetti/Diocese de Paranavaí

Comments
  • Precisamos nos mobilizar contra o Fracking, não podemos aceitar tamanha destruição , isso é urgente e pode depender de cada um de nós em não cruzar os braços.
    É preciso cobrar dos responsáveis!!!

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