Fracking: ANP realiza novo leilão e coloca, mais uma vez, o Brasil em risco

De novo, a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) coloca em risco as reservas de água, produção agrícola e saúde dos brasileiros ao insistir em leiloar campos para a exploração não convencional de petróleo e gás de xisto, muitas vezes travestida de gás convencional.

Nesta quinta-feira, 10 de dezembro, a ANP realiza no Rio de Janeiro a segunda etapa da 13ª Rodada de Licitações para tentar vender novamente dez áreas que foram arrematadas e devolvidas, chamadas pela agência de ‘áreas inativas com acumulações marginais’.

Distribuídas em oito setores de seis bacias sedimentares, as áreas estão localizadas nos estados da Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Paraná e Rio Grande do Norte.

BANDEIRA-50cm-X-50cm_4A COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil, a organização climática 350.org Brasil e a Fundação Arayara Cooperlivre alertam para mais essa tentativa do governo brasileiro em abrir as portas para o fraturamento hidráulico.

“Inúmeros estudos internacionais realizados pelas mais conceituadas universidades e centros de pesquisa como MIT, Cornell, Harvard e outras comprovam os impactos ambientais, econômicos e sociais provocados pelo fraturamento hidráulico, todos irreversíveis e nocivos a todas as formas de vida”, enfatiza o coordenador da COESUS, Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo.

Quais são os interesses?

A nossa segurança hídrica e agrícola está novamente na mira da ANP, e a vida dos habitantes das regiões impactadas em risco. A pergunta que fica é: A quem interessa importar essa tecnologia que sabemos é devastadora e perigosa?

“Não faz sentindo brincar de roleta russa quando o Brasil tem enorme potencial para energias limpas e renováveis, e reduz os impactos nas mudanças climáticas”, questiona Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil.

No caso do Paraná, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL) é a empresa habilitada pela ANP a participar do leilão, segundo Ata nº 2 de 27/10/2015 publicada no Diário Oficial da União em 28/10/2015.

Em 2013, a COPEL, associada a outras empresas, arrematou quatro blocos para exploração não convencional de gás de xisto através da tecnologia minerária altamente poluente. Por força de uma liminar que suspendeu os efeitos do leilão, a companhia e suas parceiras, algumas delas internacionais, não podem fraturar o Oeste, numa das regiões mais produtivas, 1º PIB agropecuário do Paraná.

Agora, segundo o jornal Gazeta do Povo, a Copel estaria interessada no campo de Barra Bonita, na região Central, que é vizinho de uma das áreas nas quais ela tem participação.

Protesto e alerta

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Durante a realização da 13º Rodada de Licitações da ANP, integrantes da Coalizão Não Fracking Brasil fizeram um protesto que mandou um recado claro aos investidores nacionais e internacional interessados na indústria do hidrocarboneto no Brasil: Vocês não são bem vindos para contaminar nossa água, devastar nossas florestas e matar o nosso povo. Queremos investimentos, sim, mas em energias renováveis, nosso maior potencial. Vamos informar e mobilizar milhões de brasileiros e lutar, seja nas ruas ou na Justiça, para impedir que o fracking aconteça no Brasil”.

A ação da Coalizão Não Fracking Brasil ganhou repercussão na mídia do mundo todo, mostrando ao governo brasileiro que o Brasil e os brasileiros não querem o fraturamento hidráulico como alternativa energética. Se a promessa de diminuir 43% das nossas emissões até 2030 for séria e verdadeira, conforme a meta assinalada pelo Brasil na COP 21, o fracking não é uma opção.

 

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