Filme sobre devastação do fracking na Argentina comove participantes da Oficina Verde

 

 

Após sessão de cinema promovida pela 350.org Brasil e COESUS, participantes puderam entender a relação do fracking com as mudanças climáticas e como impedir o avanço da tecnologia no Brasil e na América Latina

 

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O documentário ‘La guerra del fracking’ do cineasta e hoje senador argentino Fernando ‘Pino’ Solanas é um soco no estômago. Lançado em 2013, o filme revela testemunhos de moradores e técnicos sobre os efeitos poluentes e devastadores do processo de exploração de petróleo e gás não convencional chamado fraturamento hidráulico, ou fracking.

A tecnologia minerária usada para a extração do subsolo do gás de xisto (shale gas) destrói o subsolo e contamina a água com mais de 700 substâncias químicas nocivas, muitas cancerígenas e até radioativas. Nas províncias argentinas, dezenas de municípios proibiram a instalação desses poços, declarando-se livre de fracking. Mesmo diante da resistência da população, o governo argentino insiste na exploração, “transformando Vaca Muerta numa região de sacrifício”, denuncia Solanas no documentário. O metano liberado do subsolo pelo fracking é 86 mais potente para o aquecimento global que o dióxido de carbono e está alterando o clima no planeta, que está registrando recordes de temperatura nos últimos três ano desde a era industrial.

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Márcia Squiba (à direita), da Fundação Cultural de Curitiba, com Osvaldo Mishima e Maude Nancy Joslin Motta.

“O objetivo da Oficina Verde é informar e conscientizar as pessoas para as práticas sustentáveis, mas principalmente para a cidadania. Aprendemos muito nesta tarde e o fracking é realmente uma ameaça à vida”, enfatizou Márcia Squiba, da Fundação Cultural de Curitiba e organizadora da Oficina Verde de Curitiba.

Para a assessora jurídica da 350.org Brasil e COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida, Maude Nancy Joslin Motta, “o que mais impressiona as pessoas é saber que o fracking deixa como legado um deserto radioativo depois de findada a produção dos poços, que é em torno de 2 a 3 anos e meio. Porém mais aterrador é saber que essa praga do gás da morte, como chamamos o gás de xisto, está bem próxima de nós, no país vizinho”. Maude esteve na mesma região retratada no filme em dezembro do ano passado junto com um grupo de ambientalistas, técnicos e jornalistas em viagem organizada pela 350.org Latinoamérica e a Coalizão América Latina contra o fracking pelo Clima, Água e Agricultura Sustentável.

Já Roberto Gava, ambientalista, diretor da Fundação Internacional Arayara e membro da COESUS, destacou que “a luta contra o fracking requer informação, mobilização e ação da sociedade e os movimentos organizados para pressionar os governantes para proibirem de vez a técnica no Brasil”.

“Foi a primeira vez que a 350.org Brasil e COESUS participaram da Oficina Verde, reforçando a parceira com a Fundação Cultural de Curitiba para levar informação à sociedade sobre os perigos do fracking e de como a sua exploração intensiva está contribuindo para o aquecimento global e as mudanças climáticas”, salientou Osvaldo Mishima, coordenador de eventos da COESUS. Em março na será realizada a Virada Climática da Primavera, evento que está em sua sexta edição, também em parceria com a Prefeitura de Curitiba e com o mesmo objetivo.

 

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Vereadores de Guarapuava que participaram da Oficina Verde de Curitiba: Luiz Juraski (à esquerda), Valdemar dos Santos, Danilo Dominico, Aldonei (Dognei) Luis Bonfim, Anderson Marcelo de Lima e Germano Toledo Alves.

Vereadores em ação

O Paraná foi o primeiro estado brasileiro suspender por 10 anos a emissão de licenças para a exploração do gás de xisto por fracking, inclusive os testes e pesquisas sísmicas. A lei 18.947/2016 já está valendo e impede que a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) continue a fazer os testes sísmicos, que induzem terremotos e impactam o ambiente e a biodiversidade.

“A Lei Estadual é importante, mas a garantia mesmo que estaremos livres da contaminação mostrada no filme é aprovar leis que proíbem operações de fracking nas cidades. Só assim teremos nossas reservas de água, nosso solo fértil e a saúde das pessoas protegidas”, afirmou o vereador de Guarapuava Germano Toledo Alves, autor do Projeto de Lei que proibiu o fraturamento hidráulico em 2014 na cidade. “Agora, estamos votando a versão atualizada da legislação sugerida pela COESUS e ampliando os mecanismos de proibição. E com o apoio dos vereadores eleitos vamos estender a proibição na nossa região conversando com as Câmara Municipais para que também aprovem a legislação”, completou.

Germano esteve acompanhado dos vereadores eleitos Luiz Juraski, Valdemar dos Santos, Aldonei (Dognei) Luis Bonfim, Germano, Danilo Dominico e Anderson Marcelo de Lima, que manifestaram a preocupação com os impactos ambientais, econômicos e sociais e assumiram o compromisso e empenho na mobilização contra o fracking.

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Também esteve na Capela Santa Maria a bióloga Angela Kuczac da Rede Pró-Unidades de Conservação que manifestou grande preocupação com a possibilidade de se fazer fracking em áreas de protegidas, especialmente no Parque Iguaçu no Oeste do Paraná. “Estamos atentos para a movimentação da ANP que está agindo de forma irresponsável ao realizar os testes sísmicos no entorno no parque. É uma temeridade, pois os terremotos induzidos irão impactar severamente os animais podendo causar danos irreparáveis para toda a biodiversidade”, explicou Angela.

Participaram ainda representantes do Coletivo Lixo Zero, Engajamundo, Repas (Rede Evangélica Paranaense de Ação Social), Vereadores, estudantes e pós-graduados, professores, engenheiros ambientais, integrantes de movimentos ambientais, sociais e religiosos, todos sensibilizados e comovidos pela devastação apresentada no filme. A Oficina Verde de Curitiba vai até o próximo dia 27. 

 

 

O documentário ‘La guerra del fracking’  está disponível na internet.

 

 

 

Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil

 

 

 

 

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