Cuidar do planeta é nossa obrigação moral!

Assim como o Papa Francisco, queremos um mundo saudável e sustentável. Autor da Carta Encíclica que enfatiza a questão ambiental, a ‘LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor, o Papa tem sido contundente em alertar os líderes mundiais para a devastação que a exploração ad eternum dos recursos naturais pode provocar a nossa “casa comum”.

 

Em recente viagem aos Estados Unidos, o Papa Francisco não perdeu a oportunidade para dizer ao presidente Barack Obama que “a mudança climática é um problema que não pode mais ser deixado para uma futura geração”. Foi uma chamada dura e urgente sobre o aquecimento global, desafiando os gestores a orientar políticas públicas claras e eficientes e transformando em imperativo o que ele acredita ser uma questão moral: “A destruição da natureza é um pecado moderno”.

O planeta está dando sinais que está chegando ao limite. Quando falamos em mudança climática e em aquecimento global, estamos nos referindo ao incremento, além do nível normal, da capacidade da atmosfera em reter calor. Isso vem acontecendo devido a um progressivo aumento na concentração dos gases de efeito estufa (CO² e Metano, principalmente) na atmosfera nos últimos 150 anos. As geleiras estão derretendo e aumentando o nível do mar; os tufões e furações estão mais destruidores; mudança no regime de chuvas e variações radicais do clima já são uma realidade.

No Brasil, já sentimos alguns desses efeitos. A crise no abastecimento de água no Sudeste, chuvas em grande volume que provocam enchentes no Norte e Sul e registro de tornados e granizo do tamanho de uma bola de tênis têm causado grandes prejuízos e assustado a população.

Para piorar ainda mais esse cenário já catastrófico, o governo brasileiro que importar a tecnologia do fraturamento hidráulico, ou Fracking em inglês, para explorar gás de xisto do subsolo. Para que este gás seja extraído, é necessária a perfuração profunda do solo, por onde passam entre 7 milhões e 15 milhões de litros de água, areia e mais de 600 substâncias químicas, algumas bem tóxicas e cancerígenas.

Mas os problemas relacionados ao Fracking vão muito além da disputa hídrica. Nos países onde o fraturamento hidráulico é realizado – China, Canadá, Estados Unidos e Argentina –, há relatos de contaminação de lençóis freáticos, vazamento de metano para poços artesianos e, em áreas dos EUA onde a tecnologia é usada para extrair petróleo, de poluição do ar. No Brasil, há um risco de contaminação inerente à própria geologia: as principais jazidas de gás numa camada de rochas na bacia do Paraná que está debaixo das rochas do aquífero Guarani, o maior do mundo. Entre as 122 cidades a serem atingidas estão Toledo, maior produtor de suínos, aves e soja do estado. Com Fracking, é o fim da economia regional, as pessoas vão adoecer e que temos hoje sofrerá danos irreversíveis.

Nós da 350.org Brasil e da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil – estamos empenhados em impedir que o Fracking aconteça em nossas fronteiras e outros lugares do mundo, método nocivo à natureza, que contamina a água, impede a produção de alimentos e acaba com a vida no planeta. Inspirados pelo Papa Francisco, que também é contra o Fracking, contamos com o apoio da sociedade para vencermos esta luta. Saiba como participar acessando o site www.naofrackingbrasil.com.br .

 

Nicole Figueiredo de Oliveira é diretora da 350.org Brasil e Juliano Bueno de Araujo é fundador da COESUS. Juntos coordenam a campanha nacional contra o fraturamento hidráulico, chamado Fracking, no Brasil.

Artigo publicado originalmente na Revista Voz da Igreja da Arquidiocese de Curitiba – Edição de Novembro de 2015.

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