“Ao dizer Não para o fracking, estamos garantindo a preservação da vida e da cidadania”, afirma coordenador da Coalizão Não Fracking Brasil

“A audiência na Câmara Federal foi um importante passo para discutirmos com maior profundidade os impactos que o fracking traz para o meio ambiente, para a saúde das pessoas e economia, e se verdadeiramente essa tecnologia é imprescindível para o Brasil. Para nós da Coalizão, o Brasil não precisa do fracking”.

A afirmação foi feita pelo coordenador da Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil, engenheiro Juliano Bueno de Araujo, durante sua palestra na audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira, 02, na Câmara Federal. Para Araujo, o Brasil possui capacidade e potencial para investir em energias limpas e renováveis, tem de recursos naturais que precsam ser preservados e que muitos países já não dispõe. “Não precisamos construir uma Fukushima em cada esquina”, completou.

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Para o coordenador da Coalizão, “sem consultar a sociedade e sem estudos conclusivos dos efeitos prejudiciais da extração do gás do xisto, através do fracking, o governo brasileiro coloca a todos em risco. É uma temeridade”, alertou. Estudos recentes já comprovaram a relação do fracking com a contaminação da água, do solo e do ar, dos danos à saúde, além de intensificar as mudanças climáticas

Durante os debates, os próprios representantes do Ministério das Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) admitiram que o fracking é perigoso e que estão trabalhando para a contenção de danos. Porém, ficou patente que  o governo brasileiro continuará o fraturamento em bacias sedimentares, apesar de ser uma tecnologia que o país não domina, é difícil, cara e arriscada.


Perigos

O fracking, ou fraturamento, é uma tecnologia desenvolvida para a extração do gás do xisto, através da perfuração profunda do solo para inserir uma tubulação por onde é injetada grande quantidade de água e mais de 600 solventes químicos.

Nos locais onde o fracking foi adotado, já há dezenas de estudos que comprovam a escassez e contaminação da água, infertilidade do solo e poluição do ar, bem como severos danos à saúde dos moradores, dos funcionários das empresas exploradoras e de toda a biodiversidade no entorno dos poços. 

Nos últimos anos, crescem a cada dia os protestos contra o fracking (No Fracking) na Inglaterra, nos Estados Unidos, no sudeste da Austrália, Argélia e na Argentina e Uruguai. Em muitos casos, pequenas comunidades estão conseguindo atrasar ou complicar os planos de extração.

 

Debate

A audiência pública foi proposta pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para discutir o  Projeto de Lei (PL) 6904/13 do deputado federal Sarney Filho (PV-MA), que suspende a exploração do gás de xisto pelo período de cinco anos. O evento foi solicitado ainda pelos deputados Mauro Pereira (PMDB-RS) e Nilto Tato (PT-SP).

Durante a audiência, Sarney Filho destacou que a realidade dos Estados Unidos é diferente do Brasil. “O fracking é um investimento da velha economia. Temos condições de investir numa economia de baixo carbono, que é a tendência mundial”, afirmou.

Também estiveram na audiência o Vereador de Toledo e presidente da Comissão Municipal de Meio Ambiente, Tita Furlan (PV), e a Deputada Federal Leandre Dal Ponte (PV-PR), além da representante da 350.org/Brasil, Nicole de Oliveira, todos parceiros da Coesus na luta contra o fracking no Brasil. 

 

Outros participantes

Também participaram da audiência o professor Luiz Fernando Scheibe, da Universidade Federal de Santa Catarina, Edmar Luiz Fagundes de Almeida, Coordenador do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Symone Christine de Santana Araújo, Diretora de Gás Natural da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia e Silvio Jablonski, Chefe de Gabinete da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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