Altônia (PR) rejeita o Fracking em audiência pública

Os moradores do município de Altônia, a 640 km de Curitiba, no Noroeste do Paraná, decidiram em audiência pública realizada nesta quarta-feira (22) que não querem fraturamento hidráulico, ou FRACKING. O prefeito Amarildo Novato se manifestou contrário ao Fracking e assegurou que o Executivo não tem interesse na exploração do subsolo da cidade e que vai integrar a frente de municípios da região na luta contra o gás da morte.

“Com o apoio dos Vereadores e de toda a comunidade vamos aprovar o Projeto de Lei que proíbe o Fracking em nossa cidade e garantir que Altônia não sofrerá com a destruição do Fracking”, garantiu Amarildo.

Na quinta (23), às 19h30, será a vez de Xambrê mobilizar a população para debater os riscos e perigos do Fracking. A audiência será no Colégio Estadual em direção ao Salão Paroquial.

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Representantes de vários setores da comunidade participaram da audiência, que teve a presença de todos os vereadores, secretários municipais, padres, pastores, professores, estudantes, agricultores, comerciantes, entre outras lideranças. A maioria se mostrou disposta a defender da contaminação toda a comunidade dos impactos causados pelo Fracking, método não convencional para extração de gás de xisto do subsolo.

Riscos e perigos do Fracking

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Prefeito de Altônia, Amarildo Novato, está mobilizando a comunidade.

Durante a palestra do presidente da Cáritas Paraná e membro da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade, Reginaldo Urbano Argentino, foram detalhados os impactos do Fracking para o meio ambiente, reservas de água, produção de alimentos, poluição do ar e saúde das pessoas e animais. “Falamos sobre as Mudanças Climáticas, pedindo a redução dos combustíveis fósseis e orientando para que essa técnica tão danosa ao meio ambiente não se espalhe mais”, explicou Reginaldo.

Para Sabine Poleza, integrante da COESUS e Repas – Rede Evangélica Paranaense de Ação Social, a audiência foi positiva. “Conseguimos mobilizar a comunidade. As pessoas ouviram com atenção e se mostraram interessadas e preocupadas com os impactos que o fraturamento hidráulico pode provocar no meio ambiente”.

A região Noroeste do Paraná está na rota do Fracking, com o subsolo já vendido em 2013 pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) para exploração de gás do xisto. Sensibilizado pela COESUS e parceiros, o Ministério Público Federal obteve em 2014 liminar suspendendo os efeitos do leilão pelos possíveis impactos ao ambiente no Estado.

A campanha nacional Não Fracking Brasil, realizada em parceria com a Cáritas Paraná e 350.org Brasil, está capacitando lideranças que compõem a Amerios – Associação dos Municípios do de Entre Rios, e articulando a aprovação de legislação municipal que impeça operações de Fracking em todas as 32 cidades. “Já entregamos um kit com o modelo de projeto de Lei para ser distribuído pela associação, que está mobilizando os gestores e parlamentares e ampliando a proibição ao fraturamento hidráulico no Paraná e Brasil”, explicou o Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo, fundador da COESUS e coordenador de Campanhas Climáticas de 350.org.

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Antes da votação, centenas de moradores marcharam pelas ruas de Umuarama para pedir o fim do uso dos combustíveis fósseis e impedir que o Fracking aconteça na região.

 

Exemplo de Umuarama

Com presença de centenas de pessoas, os vereadores de Umuarama, no Paraná, aprovaram por unanimidade em maio projeto de Lei que proíbe operações de FRACKING no município.

Todos os 10 vereadores encaminharam favoravelmente ao projeto enviado pelo Executivo e agora, depois de sancionado, Umuarama é território livre do FRACKING. Mais de 50 cidades do Brasil já aprovaram leis banindo o fraturamento hidráulico, tecnologia altamente poluente para extração de gás do xisto do subsolo. Centenas de outros municípios estão discutindo legislação semelhante.

“Tomamos em nossas mãos o poder de mudança da matriz energética brasileira, e seguimos combatendo as termelétricas a carvão, gás, petróleo e o FRACKING. Ativistas climáticos estão ganhando as batalhas por um futuro justo e renovável, e juntos vamos derrotar a indústria fóssil”, garante a diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira.

 

Fotos: COESUS/350.Brasil

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